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A vida além da máscara: Dia Mundial da Enfermagem

Não somente hoje, no Dia Mundial da Enfermagem, dia 12 de maio, mas durante toda a pandemia, eles são os protagonistas: Pessoas reais, com histórias emocionantes… Os enfermeiros. Neste momento delicado, pedimos para que eles tirassem as máscaras para mostrarmos os rostos que estão por trás de todo o cuidado e coragem, na linha de frente ou não. Conheça a seguir a história dos enfermeiros com mais e menos tempo no HSC Blumenau.

Para esta campanha, o HSC Blumenau levantou o perfil dos enfermeiros assistenciais da instituição. Assim, a Auxiliar de Pessoal, Sandra Gebhardt, foi a responsável pela organização das informações. Atualmente, são 61 enfermeiros e enfermeiras. Destes, quase 92% são mulheres, apenas cinco homens, sendo que quatro deles são casados e apenas um tem filho. Já no perfil das enfermeiras, 48% são solteiras e 32 não têm filhos.

 Juçara Dallagnol Ossoski, 41 anos

Enfermeira do Pronto Atendimento – Linha de frente

Eu nem sei se é da minha carreira ou da minha vida pessoal e profissional, mas o momento mais desafiador foi quando mudei de lado. Quando deixei de ser enfermeira, de cuidar… para ser cuidada e para virar paciente – mãe de paciente. Assim, a frase que mais marca todos os profissionais de enfermagem é o obrigado, aquele que vem do coração, que é dito com carinho. “Obrigado por estar aqui comigo”. “Obrigado por me ouvir”. “Obrigado pelo que você fez para mim”. Então acho que a melhor frase que a gente escuta é: obrigado.

A enfermagem é uma forma constante de aprender. Aprender a cuidar com sabedoria, com conhecimento e, além de tudo, com amor porque só quem ama a sua própria vida é capaz de cuidar da vida das outras pessoas. Vidas que, muitas vezes, são desconhecidas e diferentes das nossas. Diferente dos nossos ideais, dos nossos costumes, daquilo que estamos acostumados. Sempre achei a profissão muito cativante e desafiadora. Então foi através dela que aprendi a lidar com as dificuldades, trabalhar, entender, compreender jeitos e personalidades diferentes.

José Aldair da Silva Aramburú, 44 anos

Enfermeiro Unidade A2 – Ala exclusiva para tratamento COVID-19

Antes tínhamos controle da patologia, da doença, tínhamos mais conhecimento. Agora estamos aprendendo a cada dia, a cada momento. Você tem que estar preparado porque os pacientes estão fragilizados não só pela doença, mas mentalmente por causa do medo. Até agora, todos que eu conversei, se não choraram, esboçaram uma face de choro. Muitas vezes, você não sabe muito bem o que dizer e também não pode dar um abraço, um perto de mão, algo que ajudava quando você não tinha palavras. Dar tratamento igual para todos é uma grande preocupação que eu tenho.

Por um bom tempo, evitei comentar com a minha mãe que eu estaria na linha de frente, na Unidade COVID-19 do HSC Blumenau. Quando eu falei, ela soltou o choro. Em casa, tivemos que montar uma logística porque quando eu chegava em casa os meus filhos vinham correndo e me abraçavam. No início, eles não entenderam muito bem, mas tomamos todos os cuidados. Tenho um medo enorme de levar o vírus para minha família. Estamos conseguindo manter meus filhos completamente isolados, mas ao mesmo tempo você se considera o maior risco para eles.

Mayara Eskelsen Seibt, 23 anos

Enfermeira do SCIRAS

Eu escolhi enfermagem porque queria mudar a vida de alguém. Eu queria tocar o coração, falar sobre sentimentos, agir com empatia, saber me colocar no lugar dos outros. Sou recém-formada e o momento mais desafiador foi o início. Por si só, todo começo é difícil… Em um emprego novo, com a pandemia, foram vários conflitos comigo mesma. Eu tive muito medo, ainda tenho. Em casa, seguimos rigorosamente todas as rotinas que mudamos para nos adaptarmos a esse novo vírus.

Uma das frases que mais me marcou foi quando pude auxiliar em um trabalho de parto, a paciente olhou para mim e disse: ‘Você fez toda a diferença. Isso aqui não teria sido nada se você não estivesse aqui’. Eu me senti a pessoa mais realizada do mundo… Acho fascinante poder compartilhar um sorriso, dar um abraço, estender a mão quando alguém mais precisa.

Olmir Cassiano Silva Chaves, 29 anos

Enfermeiro Educação Corporativa

Ajudar as pessoas me motiva… A minha inspiração para escolher enfermagem veio através de um amigo. Quando ouvi as palavras dele sobre a profissão, aquilo me apaixonou. Nos meus quatro anos de enfermagem, o momento mais desafiador está sendo agora. Estamos enfrentando um inimigo desconhecido, colegas perdendo vidas, o distanciamento da família, de quem amamos. O que me deixa mais tranquilo é o fato de morar sozinho em Blumenau. Neste momento, estar longe de casa, longe da minha família, é um alívio.

Para a minha família, foi bem difícil saber que eu trabalharia durante a pandemia. A primeira coisa que a minha mãe me disse foi: ‘Meu filho, volta pra casa, isso tudo é muito perigoso’. Hoje, eles entendem melhor, mas o medo ainda permanece. Todo mundo que escolheu a enfermagem tem uma missão: Cuidar das pessoas. A única certeza que eu tenho é que eu, que nós enfermeiros, estaremos sempre ao lado de quem necessita. Isso é enfermagem.

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