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Cardiopatia Congênita: o descompasso dos pequenos corações

Todos os anos mais de 130 milhões de crianças nascem com Cardiopatia Congênita no mundo. Só no Brasil, são 28 mil, segundo dados divulgados pela Associação de Assistência à Criança Cardiopata (AACC). Mas o que é Cardiopatia Congênita?

De acordo com a cardiologista pediátrica do Hospital Santa Catarina de Blumenau, Dra. Juliana Spengler Abuchaim, a Cardiopatia Congênita é caracterizada por alterações na estrutura e no funcionamento do coração. “Essas alterações podem causar mudanças importantes no organismo, impedindo que o coração do bebê funcione como deveria”, explica.

Na maioria das vezes, a cardiopatia congênita não tem causa específica, mas pode estar associada a algumas doenças da mãe durante a gestação, como Lupus e Diabetes, por exemplo, a utilização de alguns tipos de medicamentos pela gestante ou ainda a síndromes genéticas.

Segundo o levantamento realizado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular (SBCC), a Cardiopatia Congênita é a terceira causa de mortalidade infantil no período neonatal.

Dos 28 mil cardiopatas que nascem anualmente, pelo menos 23 mil necessitarão de uma cirurgia cardíaca, conforme dados divulgados pela AACC.  O custo alto, a falta de profissionais qualificados e de ambientes preparados para a realização de procedimentos de alta complexidade são alguns dos problemas enfrentados pelos pais e crianças que aguardam em filas de espera pela cirurgia.

E foi dessa dificuldade que surgiu a parceria entre o Hospital Santa Catarina de Blumenau e a Secretaria Municipal de Saúde. Criado em 2006, o Projeto de Filantropia já  atendeu 511 crianças que aguardavam pela cirurgia.

Conforme Bruna Schuhardt, assistente Social do Hospital Santa Catarina de Blumenau, a fila de espera assim como a escolha das crianças que serão beneficiadas pela cirurgia é dirigida pela Secretaria Municipal de Saúde.  “O Hospital entra com os profissionais, a estrutura e os recursos financeiros para a realização do procedimento”, ressalta.

Guedria Ida Baron Motta, mãe do pequeno Daniel Burg, de 2 anos, diagnosticado com cardiopatia congênita conhece de perto a importância do projeto e destaca: “Como seria se não houvesse a parceria entre o Hospital e a Secretaria de Saúde? Quanto tempo teríamos que esperar pela cirurgia? Para onde iriam levar meu filho se não tivéssemos um centro de referência em Cardiopatia?”.

Para Bruna, a parceria é uma conquista muito importante não apenas para Blumenau, mas para o Estado, que dispõe do Serviço de Cirurgia Cardíaca Infanto-juvenil em Florianópolis, Joinville e Blumenau. “Hoje muitos pacientes de municípios vizinhos são encaminhados ao Hospital Santa Catarina de Blumenau para a realização da cirurgia”, aponta.

Dra. Juliana destaca que o HSC Blumenau oferece toda a estrutura necessária para os cuidados pré e pós-operatórios, o que inclui desde equipe médica e de enfermagem treinada, estrutura física e equipamentos na UTI e no Centro Cirúrgico, exames complementares e acompanhamento pós-operatório.

Além da estrutura, o Hospital disponibiliza as famílias atendidas pelo projeto, o acompanhamento de um Assistente Social, que acolhe, orienta e auxilia os familiares durante todo o processo. “Todos os pacientes que realizam a cirurgia cardíaca são avaliados pelo Serviço Social e, quando possível, têm suas necessidades atendidas pela Instituição ou são encaminhadas para os programas oferecidos pelo município”, comenta a assistente social.

“O alojamento para o acompanhante é um exemplo das solicitações atendidas pelo Hospital. Ao longo dos anos, com a persistência das famílias por um local para ficar durante o período de internação da criança, o Hospital adotou um espaço de alojamento para que as mães e/ou pais possam permanecer o mais próximo possível do paciente, auxiliando na recuperação”, completa.

 

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